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Só pra não perder o costume, mais Wizard of Id!

Muito legal essa aqui...
Escrito por L'Angelo Misterioso às 19h16
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TIRINHA BASTANTE OPORTUNA!!!

Escrito por L'Angelo Misterioso às 12h33
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WIZARD OF ID!!!
Mais tirinha, a pedidos!

Escrito por L'Angelo Misterioso às 13h11
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B.C.!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Esta é uma tirinha de Johnny Hart, co-criador do clássico Wizard of Id:

Situações típicas da sociedade moderna inseridas num contexto Pré-Histórico...:) Mais uma sacada genial de Hart!!!
Escrito por L'Angelo Misterioso às 19h25
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Fórmula 1 de novo?
Vejam só, eu imaginava que não teria motivos pra falar de F1 pelo resto do ano, e não é que finalmente ocorreu uma corrida decente?
Schumacher foi campeão, mas guiou estranhamente mal nesse GP da Bélgica, pista favorita de praticamente todos os pilotos da F1. Curiosamente, foi assim também na decisão do ano passado em Suzuka, corrida em que o alemão também ganhou o campeonato, mas não sem fazer algumas barbeiragens. Em Spa, levou umas quatro ou cinco ultrapassagens (inclusive uma fantástica do Montoya - o cara é bom nisso), mas nem conseguiu ganhar posições no boxe como de praxe - só chegou em segundo por conta dos vários abandonos e problemas de competidores importantes (dava pra imaginar os quatro carros da Renault e da BAR sem pontuar? )- foi assim por exemplo que ele conseguiu ultrapassar o Trulli (finalmente uma ultrapassagem do Schumacher!!!), cujo carro começou a rastejar em certo ponto da prova. E nem dá pra dizer que era uma pista à qual a F2004 não se adaptava - esse carro absurdo vai bem em qualquer lugar, prova disso é que Rubinho, que foi parar lá atrás logo no começo da prova, conseguiu um pódio fazendo uma fantástica corrida de recuperação.
Barrichello, aliás, não foi o único brasileiro a fazer bonito. Todos eles estiveram de parabéns, embora infelizmente dois tenham abandonado. Antonio Pizzonia era um seríssimo candidato ao pódio, ficando à frente de Montoya, mas abandonou. O mesmo aconteceu com o Zonta, que vinha logo atrás (COM UMA TOYOTA, é bom que se diga). Já Massa conseguiu um excelente quarto lugar depois de grandes momentos como a entrada na Eau Rouge junto com Montoya, não deixando o colombiano o ultrapassar.
Grande prova também para Kimi Räikkönen, um alívio para a McLaren que comeu o pão que o diabo amassou nessa temporada. Seria uma excelente notícia se a equipe voltasse competitiva ano que vem. Chega de corrida de um carro só.
A única notícia ruim: lembram de tudo que já foi dito a respeito da FIA ter favorecido a Ferrari diversas vezes? Pois bem, eles resolveram convidar a Ferrari para um teste particular em Monza, "para testar novas configurações para a próxima temporada", essa semana. Monza, vale lembrar, é a próxima etapa do campeonato. Pombas, se o motivo era colher dados para algo que só vai acontecer daqui a um ano, não dava pra fazer esse teste *depois* do GP da Itália? Depois dizem que é implicância.
Mas é isso. Ninguém imaginava que pudesse haver temporada mais chata que a de 2002, e felizmente a de 2003 foi um espetáculo. Aí veio outra que conseguiu superar a de 2002 em pasmaceira. Quem sabe ano que vem o negócio não melhora de novo? Que venha a renascida McLaren com Räikkönen e Montoya!
Escrito por Le Cristallographe Masqué às 23h31
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Reflexão
Sou um cara minimalista. Economizo esforços e evito riscos a todo tempo. Pessoas me dizem que é interessante ampliar horizontes e ser bastante aberto a novas experiências. Só que já cheguei a certas conclusões: não há horizontes amplos no mundo material em que estamos aprisionados e, conseqüentemente, não há possibilidade de se vivenciar experiências realmente novas a não ser no plano espiritual. Portanto, nada de se entregar ao mundo material, pois a ele não pertenço nem com ele me coaduno.
Escrito por L'Angelo Misterioso às 22h15
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Mais uma de Drummond...
Aproveitando a deixa do co-proprietário deste blog em ter apresentado ao nosso público o poema "A Morte do Leiteiro", coloco aqui "Salário", que, embora tenho sido escrito há mais de vinte anos, continua rigorosamente atual (vide recente salário mínimo de R$ 260,00). Isso é Drummond: o homem dos poemas que duram vinte anos e mais, muito mais....
28.V.1983
Ó que lance extraordinário: aumentou o meu salário e o custo de vida, vário, muito acima do ordinário, por milagre monetário deu um salto planetário. Não entendo o noticiário. Sou um simples operário, escravo de ponto e horário, sou caxias voluntário de rendimento precário, nível de vida sumário, para não dizer primário, e cerzido vestuário. Não sou nada perdulário, muito menos salafrário, é limpo meu prontuário, jamais avancei no Erário, não festejo aniversário e em meu sufoco diário de emudecido canário, navegante solitário, sob o peso tributário, me falta vocabulário para um triste comentário. Mas que lance extraordinário: com o aumento de salário, aumentou o meu calvário!
Escrito por L'Angelo Misterioso às 16h13
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O efeito Mônaco
Pois é, eu achava que não iria mais falar de Fórmula 1 esse ano, já que até semana passada o campeonato estava mais chato que apresentação de tecladista em festa de casamento. No sábado houve a surpresa: o tempo de Schumacher foi pior que o das duas Renaults, o de Jenson Button e o de Ralf Schumacher (embora de nada tenha adiantado a repentina melhora do Júnior, que precisava pagar punição e mais uma vez largaria atrás de Montoya).
A corrida começou com as Renault pulando na frente, como de praxe, mas também com uma espetacular largada de Takuma Sato, que passou de sétimo pra quarto ignorando Michael Schumacher, que também foi ultrapassado por Kimi Räikkönen. Todos os pilotos contornaram sem acidentes a Sainte Devote, mas pouco tempo depois o motor Honda de Sato explodiu de forma espetacular. Räikkönen, Schumacher e Rubinho ainda conseguiram passar milagrosamente pelo véu de fumaça que cobriu completamente o trecho da pista, mas enquanto David Coulthard se aproximava cuidadosamente do local, Fisichella veio com tudo e acertou o britânico, capotando sua Sauber. Felizmente nenhum outro piloto teve probblemas com a situação. Safety car na pista, e ultrapassagem de Montoya em cima de Barrichello na relargada. Pouco depois os líderes começaram a parar e Schumacher tomou a ponta, fazendo voltas extremamente rápidas antes de sua parada, como de praxe.
O momento que decidiu a corrida, porém, ocorreu com Fernando Alonso no túnel. Alguém esqueceu de avisá-lo de que deve-se tomar cuidado redobrado quando Ralf Schumacher está num raio de cinqüenta metros, e quando o espanhol ia aplicar uma volta em cima do Schumaquinho, espatifou o carro no muro, fazendo gestos obcenos para o alemão enquanto seu carro ainda rodava. O safety car entra outra vez, e os líderes vão fazer suas paradas, enquanto Schumacher toma a estranhíssima atitude de continuar na pista. Provavelmente seria uma estratégia desastrosa, mas Ross Brawn foi poupado do vergonhoso resultado que certamente aconteceria, pois logo depois Schumacher resolve dar uma senhora travada nos pneus dentro do túnel, e aí Montoya, que vinha atrás, não conseguiu desviar, tocando o pneu traseiro do alemão. Schumacher perde o controle do carro, bate no muro e quebra a suspensão. Ainda leva o carro completamente avariado para os boxes, para sair do carro e jogar o capacete contra a parede.
Ao final da corrida, com apenas nove carros na pista, ainda havia cenas interessantes para ver. Jenson Button ignorou completamente a idéia de "administrar a posição" e perseguiu até o último segundo a Renault de Trulli. O mesmo ocorreu com Cristiano da Matta e Felipe Massa. O mineiro andava em quarto quando teve que cumprir uma punição indo parar atrás do amazonense, e suas últimas voltas foram semelhantes às de Senna e Mansell em 92, com os dois passando juntos, com meio carro de diferença, pela bandeira quadriculada. A F1 precisava duma corrida dessas.
Escrito por Le Cristallographe Masqué às 23h14
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A morte do leiteiro (Carlos Drummond de Andrade)
Há pouco leite no país, é preciso entregá-lo cedo. Há muita sede no país, é preciso entregá-lo cedo. Há no país uma legenda, que ladrão se mata com tiro. Então o moço que é leiteiro de madrugada com sua lata sai correndo e distribuindo leite bom para gente ruim. Sua lata, suas garrafas e seus sapatos de borracha vão dizendo aos homens no sono que alguém acordou cedinho e veio do último subúrbio trazer o leite mais frio e mais alvo da melhor vaca para todos criarem força na luta brava da cidade. Na mão a garrafa branca não tem tempo de dizer as coisas que lhe atribuo nem o moço leiteiro ignaro, morados na Rua Namur, empregado no entreposto, com 21 anos de idade, sabe lá o que seja impulso de humana compreensão. E já que tem pressa, o corpo vai deixando à beira das casas uma apenas mercadoria. E como a porta dos fundos também escondesse gente que aspira ao pouco de leite disponível em nosso tempo, avancemos por esse beco, peguemos o corredor, depositemos o litro... Sem fazer barulho, é claro, que barulho nada resolve. Meu leiteiro tão sutil de passo maneiro e leve, antes desliza que marcha. É certo que algum rumor sempre se faz: passo errado, vaso de flor no caminho, cão latindo por princípio, ou um gato quizilento. E há sempre um senhor que acorda, resmunga e torna a dormir. Mas este acordou em pânico (ladrões infestam o bairro), não quis saber de mais nada. O revólver da gaveta saltou para sua mão. Ladrão? se pega com tiro. Os tiros na madrugada liquidaram meu leiteiro. Se era noivo, se era virgem, se era alegre, se era bom, não sei, é tarde para saber. Mas o homem perdeu o sono de todo, e foge pra rua. Meu Deus, matei um inocente. Bala que mata gatuno também serve pra furtar a vida de nosso irmão. Quem quiser que chame médico, polícia não bota a mão neste filho de meu pai. Está salva a propriedade. A noite geral prossegue, a manhã custa a chegar, mas o leiteiro estatelado, ao relento, perdeu a pressa que tinha. Da garrafa estilhaçada, no ladrilho já sereno escorre uma coisa espessa que é leite, sangue... não sei. Por entre objetos confusos, mal redimidos da noite, duas cores se procuram, suavemente se tocam, amorosamente se enlaçam, formando um terceiro tom a que chamamos aurora.
Escrito por Le Cristallographe Masqué às 00h25
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Enchendo a burra do urânio (Tutty Vasques, no www.nominimo.com.br)
10.04.2004 | Seja lá qual for a desconfiança da Agência Internacional de Energia Atômica em relação ao urânio no Brasil, logo, logo vai descobrir que enriquecimento em nosso país não é coisa que se esclareça com inspeções de rotina. Em casos como os de Paulo Maluf e Celso Pitta nem a quebra do sigilo bancário dos ex-prefeitos na Suíça parece suficiente para dar fé a qualquer denúncia de desvio de dinheiro público em São Paulo.
A verdade é que o brasileiro sempre foi um povo condescendente com o enriquecimento alheio. Sabe aquele vizinho que de repente comprou dois carros importados, a casa do lado e foi esquiar em Courchevel? Em geral é muito bem aceito no bairro, visto como cidadão de vida social ascendente, exemplo a ser seguido pelo bestalhão que trabalha feito um condenado sem conseguir sair do vermelho no cheque especial.
Com R$ 3 milhões no bolso, Zeca Pagodinho pode beber o que quiser sem dar satisfações a ninguém. Está lá no capítulo IV, versículo XII da ética de Xerém, a bíblia dos pés-de-cana: enriquecimento no Brasil dispensa explicação. Diz a psicanalista Maria Rita Kehl - de quem sou macaco de auditório – que “para a opinião pública, determinadas somas de dinheiro tornam obsoletas quaisquer considerações éticas”. Certas questões só teriam valor até o limite de cinco zeros. “Acima dessa cifra, uma nova metafísica se instaura: alguns valores falam por si, sem necessidade de apoio em nenhum outro critério desses que regem a vida dos homens normais” - guardei essa crônica que Maria Rita escreveu sobre o caso Zeca Pagodinho no AOL.
Ainda que o enriquecimento do urânio no Brasil não se compare ao de Zeca Pagodinho, tem sido analisado com freqüência à luz da ética de Xerém pelo ministro Celso Amorim, líder do movimento ‘O Urânio É Nosso’, contra a intromissão de organismos estrangeiros em questões de soberania nacional. Bobagem do Celso. Não precisa nem saber muita coisa sobre o enriquecimento do urânio no Brasil para desconfiar que alguma coisa esquisita, não necessariamente ilícita, esteja por trás disso.
É cultural: não se enriquece no Brasil por métodos convencionais. Seja no mercado financeiro, na Internet, no governo, na empresa do pai - nesses lugares, enfim, onde se ganha dinheiro -, o cara tem sempre que reinventar o pulo do gato para encher a burra e lavar a égua, coisa que em geral acontece da noite pro dia, de repente, o cara dorme pobre e acorda rico.
Pois bem, se nenhum enriquecimento no Brasil resiste a uma CPI, a questão passa a ser por que o urânio é a bola da vez, se a gente ainda nem sabe direito o tanto que Waldomiro enriqueceu no tempo em que Dondom jogava no Andaraí! Ainda que, a exemplo do que foi aqui concluído em relação a Zeca Pagodinho, o enriquecimento de um não tenha nada a ver com o do outro, tá cara que tem o dedo de José Serra nessa história. Já, já alguém do Ministério Público ligado ao PSDB vai pedir a quebra do sigilo telefônico do urânio. Repara só!
Escrito por Le Cristallographe Masqué às 15h34
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1/4/2004
E chegamos ao primeiro de abril, data que em alguns círculos é conhecida como trinta e um de março. Há um especial sobre a efeméride no Site da Agência Carta Maior. .
Escrito por Le Cristallographe Masqué às 10h42
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E isso de ser jornalista?
(Zuenir Ventura, no www.nominimo.com.br)
23.03.2004 | Uma vez chamei de “Samba do diálogo doido” as entrevistas que alguns estudantes fazem com a gente. São conversas sem pé nem cabeça, em que não se sabe o que irrita mais, se o despreparo do entrevistador ou a falta de orientação por parte do professor. Chegam sabendo por alto quem você é ou o que faz e tendo apenas uma vaga idéia do assunto sobre o qual devem perguntar. Não são todos assim, evidentemente; há alunos excelentes que entrevistam melhor do que muitos profissionais.
Nestas últimas semanas, porém, com a aproximação do 40o aniversário do golpe militar, intensificou-se o assédio a mim e, pelo que sei, a vários colegas, de jovens atrás de informações sobre a ditadura militar. Há casos em que a confusão e o desconhecimento são de dar pena ou fazer rir. Entre os despreparados, há pelo menos duas categorias: a dos humildes, que pedem desculpas pelo que não sabem e acabam despertando a nossa paciência. E a dos ignorantes espertos e cheios de si, dos quais aí vai uma amostra.
– Como é que era aquela época?
Achei que depois dessa viria outra do gênero: “Como é que é essa coisa de ser jornalista?”. Com o tempo aprendi a dar respostas igualmente vagas ou desconcertantes: “Ah, depende”. Ou então: “É como essa coisa de ser estudante de jornalismo”. Quando o jovem começou assim a entrevista, eu estava de mau humor. Resolvi então gozá-lo, respondendo mais ou menos assim:
- Era uma época parecida com a atual, só que muito diferente. Como todas, aliás, variando conforme o ponto de vista.
Não queria dizer absolutamente nada, e eu esperava que ele replicasse com um “como assim?”, ou “explica melhor”. Nada. Ele se deu por satisfeito, o que aumentou minha irritação.
– O senhor escreveu um livro sobre o período, não é?
– Sobre que período?
– Sobre o período em que aconteceu tudo aquilo.
– Tudo aquilo o quê?
– Toda aquela confusão.
– Escrevi um livro sobre 1968.
– Ah, sim: “O ano que não aconteceu”.
– Não. “O ano que não terminou”.
Você pensa que ele se encabulou? Nem aí.
– É verdade. Fale um pouco sobre ele.
– Você não leu?
– Com esses trabalhos todos para fazer, ainda não tive tempo.
– Mas o livro foi lançado há mais de 15 anos.
– É verdade.
O que mais me irritava era que ele não dava o braço a torcer. Tinha sempre um “é verdade”, como se minha palavra dependesse do crivo dele. Era como se o que eu dizia só tivesse validade quando ele endossava: “é verdade”.
– E você não teve tempo de ler?
– Não, mas faz um resumo para os nossos leitores.
Aí tive que rir. Era tão folgado que ficava engraçado. Além do resumo, ele queria imprimir mais realismo à entrevista e falava como se milhares de leitores, “os nossos leitores”, fossem ler este emocionante diálogo. Foi quando me dei conta do seguinte:
– Escuta aqui: se a pesquisa é sobre 64, o que 68 tem a ver com isso?
– É que eu quero fazer um trabalho abrangente. Sou assim: quando escolho um tema vou fundo, quero saber tudo.
Vi que ele era imbatível, não tinha jeito. Um grande debochado, só podia ser. Desisti de tentar gozá-lo, já que eu estava perdendo todas, e propus:
– Vamos nos concentrar em 64.
– Como o senhor quiser. Pra mim tanto faz. Pode começar.
Ele não só estava mandando no jogo como agora me dava ordens e permitia que, nesse duelo, eu escolhesse as armas: “Como o senhor quiser”. Penso na crônica que escrevi há oito anos e percebo que nada mudou: parece o mesmo aluno de então, com as mesmas perguntas, a mesma cara de pau. Será que o outro virou coleguinha? E este de agora, será que vai conseguir o diploma? Respondo qualquer coisa e fico à espera da indefectível pergunta, que costuma ser ou a primeira ou a última. Ela vem.
– Agora vamos falar um pouco do senhor: como é que começou?
Vou à forra. Já tenho a resposta pronta.
– Estou quase indo embora e você vem me perguntar como comecei?
Ele diz “é verdade”, me manda um abraço e, antes de desligar, ameaça: “Quando o trabalho estiver pronto, envio uma cópia para o senhor. Qual é o seu endereço?” Não devia confessar, porque isso não se faz, mas dei o endereço errado.
Escrito por Le Cristallographe Masqué às 11h46
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Beatallica
Uma das coisas mais engraçadas que já ouvi: trata-se de canções dos Beatles ao estilo do Metallica. Perde um pouco da graça para quem não conhece a discografia dos Beatles (eles fazem covers de músicas não tão conhecidas do público geral como For no one e Everybody's got something to hide except for me and my monkey, que viraram, respectivamente, For horsemen e Everybody's got a ticket to ride except for me and my lightning) e principalmente para quem não conhece o estilão do Metallica - todos os cacoetes característicos da banda americana estão lá, em faixas de títulos impagáveis como ...And justice for all my loving e The thing that should not let it be.
O link:
http://www.beatallica.com/
Escrito por Le Cristallographe Masqué às 13h13
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VIVA ESPAÑA, parte II
Complementando a mensagem do Moura Júnior, seguem links para alguns bons
artigos sobre o assunto:
Mario
Sergio Conti - Onze de março: terror na Europa
Pedro
Doria - A próxima vítima
Zuenir
Ventura - La sangre derramada
Pedro
Doria - Sobre demagogos
Sérgio Rodrigues - A mitologia da rendição espanhola
Escrito por Le Cristallographe Masqué às 13h32
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VIVA ESPAÑA!!!
Como não poderia deixar de ser, desde aquele acontecimento dantesco em Madrid no fim da semana passada que eu quis escrver algo sobre isso aqui no blog. Porém, considerando que a eleição majoritária espanhola seria no domingo, preferi esperar o desenrolar dos acontecimentos.
Logo após o atentado terrorista, iniciou-se ferrenha campanha de imputação do evento ao ETA (Euskadi ta Askatasuna, em euskera, a língua basca, significado "Pátria Basca e Liberdade") por parte do Premier José María Aznar e seu partido de direita, o Partido Popular (PP), respaldado por boa parte dos meios de comunicação nacionais. Representantes do ETA negaram veementemente, e por várias vezes, num curto espaço de algumas horas, a autoria do ataque. E tudo levava a crer, menos os apelos desesperados de Aznar, que os bascos tinham razão, pois as pistas e as características do sinistro afiguravam um atentado nos moldes "alqaedanos". Claro que toda essa "forçação de barra" se devia à proximidade do pleito eleitoral e, em se confirmando um ataque de origem árabe, a população somaria 2+2 e todos os dedos hispânicos se virariam contra Aznar e seu candidato-títere Mariano Rajoy. Explica-se: Aznar e seu governo sempre foram aliados de primeira hora do Cowboy Texano que quer fazer do mundo um grande Rancho. Desde suas incursões anti-afegãs até ao Safari Iraquiano, José María sempre esteve do lado de Uncle Sam e, diga-se de passagem, sob a reprovação de mais de 80% da população espanhola. Ele, assim agindo, ajudou de forma direta (com os coleguinhas de classe Tony e Silvio) a construir inverdades a respeito de armas de destruição em massa estocadas em grande quantidade entre os rios Tigre e Eufrates (as quais nunca foram, nem serão, encontradas, pelo simples e prosaico fato de não existirem).
No decorrer dos dias 12 e 13 de março, mesmo com a imprensa internacional sempre reafirmando a autoria fundamentalista do atentado e colhendo provas nesse sentido, o governo espanhol teimava em berrar as três letras mágicas do partido separatista basco. Tudo em vão, felizmente. As evidências em contrário tomaram um brilho cristalino a tempo de a população espanhola ir às urnas com o firme propósito de se livrar de J. M. A. e sua rede de mentiras, intrigas e sandices. Sandices sim, por que só um lunático manteria um contingente de 1.300 militares a milhares de quilômetros do seu país, a pedido de um personagem não menos desvairado, por razões esdrúxulas, enquanto que, internamente, o povo amarga maus momentos com um desemprego que chega a 12%.
Portanto, só nos resta prestar nossa homenagem ao povo espanhol que deu maioria ampla ao PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol) e elegeu José Luis Rodríguez Zapatero como Primeiro-Ministro que, como uma de suas primeiras ações de governo, irá retirar as tropas espanholas que ocupam e violam o teritório iraquiano. Ah sim, ele também mandou o Cowboy e o Tony se mancarem, que essa estória deles não tá com nada! Vejam só neste link: http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u70468.shtml
Por fim, este blog, através de seus autores, expressa suas sinceras condolências aos que perderam suas vidas no ataque terrorista de 11 de março e às suas famílias. E aos demais espanhóis, parabéns pela coragem na hora de usar a urna eleitoral e fazer a coisa certa! Assim é que se combate o terrorismo!
VIVA ESPAÑA!!!
Escrito por L'Angelo Misterioso às 12h27
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